segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Adora-se em mim

Acorda e vê sua aparência no reflexo do meu olhar; é lúcido que me faça enxergar sem protensão dos cabelos arrepiados, da boca seca e da lipitude.

É uma espécie de bom dia tímido e narcisista, que contém armadura de defesa para o que é natural, de modo congênito. 

sábado, 29 de novembro de 2014

Determinando o futuro

O que tiver de ser à vida inteira vai acontecer. Não espere ela chegar até você. Vá em busca dos seus sonhos.

- Olhando para a lua eu vi o seu olhar me chamando para navegar em alto mar. 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Memorandum o farrapeiro

(...) Talvez eu seja lembrado por ser aquele cara que sempre dizia ir aos eventos e não comparecia.
Mas, não é minha culpa; não é culpa sua... É culpa do tempo. 

domingo, 16 de novembro de 2014

O júbilo daqueles domingos

Ah, os domingos! À época, as crianças mijavam na cama sem vergonha alguma, e as mães expunham os colchões ao sol; pela manhã tínhamos uma certa liberdade para acordar um pouco mais tarde. O preparo do almoço era caprichado. Minha mãe sempre animada e sorridente, fazia um pirão de carne recheado de legumes. Enquanto isso, a brincadeira corria solta na rua. 

Aperreio maior era tomar banho antes de almoçar. Mas a fome falava mais alto e, para fazer uma coisa era necessário fazer a outra primeiro. Todos reunidos à sala, almoçávamos esperando o sorteio da Tele Sena. A tarde, para alguns era de sono, para outros era de mais folia...

sábado, 15 de novembro de 2014

Disse disso, ambos

E no presente dia que ele disse que a amava, a sua paixão se equivocou; a mentira mais cruel se fez. [Após o fim...]

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

De olhos fechados, debaixo do chuveiro

Penso: noite de inverno; a rua silenciosa e escura, sem ninguém poder sair para as brincadeiras de barra-bandeira, piquilate e amarelinha; as luzes dos postes, semelhantes as de natal, ascendiam e apagavam de acordo com a intensidade da ventania múrmura. Minha casa, assim como a época, era singela e aconchegante; o ilustre brilho nos meus olhos, ao passar a vista numa enciclopédia de geografia, fazia-me peregrinar pelo mundo ingênuo de imaginações, que  me confortava, distraia e estimulava o meu ego. A toada onerosa da chuva no telhado de barro, criava a harmonia do solstício de junho, que soava como música aos meus ouvidos.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Acrônico

Reiterado ao sol desse litoral, 
De onde o mundo se tornou mar... 
Conchas, estrelas, arcos, 
A vida frutífera de cobiça,
As pedras vivas 
Que não conseguem dialogar. 

Não há verão sem chuva, 
Aqui não há! 
O intermédio pluralista 
Desde as premissas 
É o que pressupõe
O nada secular. 

Nada, peixe! Vai-te às ondas, 
Abaixo dos barcos, nadar. 
O óleo diesel dos barcos, 
Que da lugar aos mastros, 
Coincide com meu pensamento anarco, 
Mas não vai me naufragar.

Areias finas,
Pulsam, freneticas,
Por serem dotadas
De todo o vento,
Da linha do tempo,
Roubado do ar.

No que hoje é torrões, 
A insensibilidade castigara
Às folhas podar. 
Nesse litoral, concreto sem grilos
Não há nada divertido,
A não ser recordar.

Entre o cais e asilos,
- Queria que fosse um paraíso
- O tempo transborda a não cessar.
Os rebendos que somem, 
Não se sabe pra onde,
Que fiquem em seu devido lugar.

domingo, 2 de novembro de 2014

O florido jazido de Margarida

Entre todos os jazidos da necrópole, o mais florido era o dela; prova viva de quem deixou apenas lembranças boas... Assim se fez a saudade, e a esperança de um reencontro em meio a ruas de flores e ouro, ao som de pássaros cantantes, para um sorriso que contempla o carinho em busca da paz.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O trapaço da coroa

A adversidade começa, pelo fato de que, o descendente é incoerente ao seu ascendente (se este segundo estivesse vivo, estaria vergonhado agora). O mais lógico seria o primeiro se espelhar no segundo, de maneira irrestrita, mas o talento não se fez presente, diferentemente da tolice. Nesse momento, o espelho se torna apenas um objeto fútil, que só existe para a contemplação da sua própria insignificância. 

Além desse narcisismo tolo, inteiramente desprovido de qualquer senso de inteligência, a atuação cênica e leviana preestabelecida pelo descendente, faz dele um politiqueiro, pois a falta de personalidade e de calibre decisório o torna um antigo histrião, que só existe para as aleivosidades do seu próprio discurso.

O labéu se torna mais evidente quando este pobre indivíduo violenta o seu próprio espírito, fazendo de sua mente um espaço de vis falácias, créditos e convicções duvidosas, as quais o deixa demente, sobre tudo em suas acepções a respeito das coisas que lhe circunda, que vai de aliados a templos sustentos de vilezas e suspensos de glória, que só existem para as trivialidades do seu próprio ego. 

Assim se fez o herdeiro, e o herdeiro assim se desfaz. Deixando o seu ingênuo legado de imaturidade, erradicando esperanças, desconstruindo um esboço de progresso, construindo impunidade e fadigando a solidariedade... Enfim, a cisma de grandeza e o almejo de ser lembrando igual o seu ascendente, faz dele um derrotado, que só existe para o culto da sua própria perdição. 

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A culpa pela senda errada

Eu não sei se quero participar do teu sofrimento.
Ser o fiador das contas que deves pagar à vida. 

A inveja, a ti sentida,
te corrompe, te consome e, 
sempre te tornará errante. 

Não há nada em teus calcanhares, além de ti. 

O que deténs é a tua própria progressão.
O que almejas é a tua própria mágoa.
O que perdes é a tua própria alma.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Da brecha ao mundo

Em oito, eu fui um gomo ventral, como qualquer outra folha já foi um dia. Em dez, eu crescia e absorvia chuva. Em noventa e um, eu havia ramificado. Agora, quando espalhar sementes no jardim? 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Aleivosia

Onde muros ainda não caíram a certas razões, o desfecho é ostensivo de insensibilidade e estupidez, aos dizeres do eu e do você. Tenha dito que escorregue no próprio ego e, que todas as experiências são sempre aflitas.

- Desce! Se apruma à vida... A mágoa do teu pretexto é entorpecida de endrôminas e imposturas.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O conúbio dos nubentes

Por entre portas aveludadas de madeira, ela emana e debruça o ventre adentro, bestificando o alarde sonoro que perfaz os olhos. Fora, há chuva e fel; angústia arreliante de uma coruja que pousou na torre esquerda dos sinos, antes de cantar no céu. Sorrisos... Aflição, medo, tortura, felicidade, meros sentimentos tolos que transcendem lindos laços de confraternização e familiaridade.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Veras

Defronte o morro, inicialmente, a interação e a paciência é clemente. Inevitavelmente têm continuidade, porque a veras ainda está por vir. Devido a espontaneidade os laços são desfeitos, as máscaras caem e, até o outro lado, tudo será evidenciado.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

À minha alma

A minha alma havia se perdido, mas eu a encontrei... Meio abatida, ferida. Ela teria mergulhado num lago frio e, não sei como, se desconectou de mim. Eu não sei como isso pôde acontecer. Uma coisa que, aparentemente, era impossível, aconteceu...
Hoje, eu tô me desapegando novamente dela. De uma outra forma, eu a doei para viver.

sábado, 13 de setembro de 2014

Toda saída

O que de concreto está à minha vista é ilusão. A imaginação é mais real e bonita - Sempre foi. Todas as formas de saída que me concedem é viajar; por entre buracos negros, ondas violentas e paisagens extranaturais.

O sol que dá no trópico é melancólico, ainda que tenha brilho e calor.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

E, não era nada demais

Pois, tudo que era perfeito e tosco, foram-se os dias que o tempo roubou, sem dó nem piedade. Tudo era singelo e sem culpa. A única responsabilidade era da irresponsabilidade, que sempre vivia descuidada e ao mesmo tempo protegida.

O combate era intenso. Parecia mais um chuvisco no fim de tarde, em pleno verão; sentia-se o cheiro de terra molhada e se via a evaporação da água no chão. Tudo era mais um aperitivo para se fazer alegre. E por mais que a noite viesse, a liberdade só começava; a sede do riso, após o café com leite, não o bastante, transbordava.